Festival Regional de Teatro abre no “Liceu” com “Wamãe” a desfiar memórias do passado ao sabor do presente
Pelos corredores da Escola Secundária Jaime Moniz começa hoje a respirar-se uma atmosfera que convoca a participar no teatro. A tradição regressa em força com a abertura, esta manhã, do XXXIII Festival de Teatro Escolar Carlos Varela. Logo à entrada do “Liceu”, um grupo de mimos, muito sério e a rigor, faz parar a azáfama matinal da escola para lembrar “ide todos ao teatro!”.
No ginásio da escola, os alunos marcam lugar, o júri prepara-se para avaliar e as entidades ocupam os lugares. Há muita tradição e dignidade neste evento, que presta homenagem ao seu fundador, o saudoso professor Carlos Varela.
Luzes, som, atores e atrizes adolescentes e outros eternamente jovens preparam-se para fazer acontecer teatro, no velhinho mas sempre renovado palco da Jaime Moniz. A peça da Associação Wamãe, intitulada “A mais velha delas todas” tem a responsabilidade da sessão inaugural do Festival. Apenas duas personagens femininas que, cheias de vida e talento, enchem o palco numa viagem intercalada entre o passado e o presente, as memórias que se repetem no ciclo evolutivo da vida, a tese de mestrado sobre o tema da metamorfose humana, numa busca antropológica da mudança dos tempos. Inês Tecedeiro e Constança Sá, com vozes muito bem projetadas, artes cheias de representação e ironia quanto baste, fazem a história do drama desta manhã, entrevistando, para a tese de mestrado, percursos de vida como o de Lily ou Ilda, que partilham, na tela multimédia, as aventuras e desventuras de outras eras, representadas pela Constança e Inês. Pungente o drama da princesa que eternamente espera o amado até ao dia do desejado regresso, desta feita sem princesa, pois o tempo dilatado tudo leva. Tudo dramatizado sob a música do baile da paróquia, as tradições que se cruzam e os sonhos adiados, porque a passagem inexorável do tempo continua a ser soberana em relação às vontades.
Na plateia, para além dos estudantes da Jaime Moniz, um grupo de jovens estudantes da Hungria, no âmbito do programa ERASMUS , segue atentamente a peça. Os aplausos são o reconhecimento da obra feita. Mas há mais, muito mais ao longo desta semana de teatro, com a participação de muitos artistas.
A presidente do conselho executivo da escola anfitriã do evento, Ana Isabel Freitas, acolheu todos com a habitual hospitalidade da casa, realçando o empenho de uma vasta equipa que torna possível o evento. Também o secretário regional da Educação, Ciência e Tecnologia esteve presente na sessão inaugural, congratulando os alunos pela oportunidade da afirmação dos seus talentos, bem como os professores que os orientam neste percurso extracurricular muito criativo e necessário, com a homenagem ao fundador Carlos Varela.
A 33ª edição do Festival Regional de Teatro escolar Carlos Varela traz, ao longo de 5 dias, grupos de teatro de várias escolas da Região Autónoma da Madeira que transformam o palco da Escola Secundária Jaime Moniz num espaço de partilha e vivências.
O Festival contará com a apresentação de 10 peças teatrais, sendo cinco em competição e as restantes a cargo de grupos convidados. Para além da Associação Wamãe, com “A mais velha delas todas”, hoje aprsentada, há que contar com o Inquiets Teatro e o Curso Básico de Teatro do Conservatório (CEPAM + EB23 Louros), que trazem “No Louco Ecrã” de Pedro Araújo; a Associação Cultural OITO – Oficina de Ideias das Terras do Oeste, responsável por “E se fosse contigo?”; o Grupo de Teatro Santa Luzia, com “O ano de Samuel”; o Grupo de Teatro Infantil do Campanário, que apresenta “O Príncipe Nabo”; e o Conservatório-Escola Profissional das Artes da Madeira – Eng. Luiz Peter Clode, com “Quando algumas pessoas têm a mesma desgraça, juntam-se”.”
Os trabalhos das escolas concorrentes são apresentados a partir de quarta-feira. Faz estreia, no dia 19 de março, às 15h00, o grupo Voo à Fantasia, da EBS Padre Manuel Álvares, que traz a peça ““Floresta de Enganos e outras cenas” de Lília Pereira.
No dia 20 de março, às 10h15, a Oficina de Teatro Corpus, da Escola Secundária Francisco Franco apresenta a peça “Um não sei quê” ; ainda no mesmo dia, teremos O Grupo de Teatro Amarelo da Escola Básica e Secundária da Ponta do Sol, às 12h00, com a peça “As barbas de Sua Senhoria” de Teresa Rita Lopes” e às 15 horas a Peça “Viriato”, com a adaptação de José Carlos Godinho, é apresentada pelo Grupo de Teatro O Comboio da Escola Dr. Ângelo Augusto da Silva.
Na sexta-feira, O Moniz – Carlos Varela, da Escola Secundária de Jaime Moniz, encerra o concurso com a apresentação da peça, “O Grande Fogo” de Matilde Campilho.
No festival são atribuídos os prémios de Melhor ator, Melhor atriz, Melhor sonoplastia, Melhor encenação, Melhor texto, Melhor Realização Plástica e Prémio Carlos Varela. São ainda atribuídas menções honrosas e louvores, de acordo com os trabalhos e temáticas apresentadas.
O painel de jurados é constituído por Ana Amaro, Assessora de Relações Públicas e Marketing, da Câmara Municipal do Funchal, Sandra Nóbrega, Diretora do Teatro Municipal Baltazar Dias, Diogo Correia Pinto, Diretor do Curso Profissional de Artes do Espetáculo-Interpretação do Conservatório-Escola Profissional das Artes da Madeira – Eng. Luiz Peter Clode, Maria José Costa, da Associação Contigo Teatro, e Xavier Miguel, do Teatro Bolo do Caco.






